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sábado, 10 de outubro de 2009

ganhei




FEMININA


nascerá, então, do teu breve sentar,

o sorriso que carregará a diferente beleza de quem te olha.

quem te vê sorri mais bonito.

e não é pelo teu reflexo...

é pelo infinito que se abre aos olhos que deslindam teus mistérios.

desde o formar do decote que junta e eleva os seios, até o meio de retinas.

tudo se faz especial (muito mais que beleza)

tudo se faz transcendental (muito além da pureza ou simples magia).

teu sentar, teu luzir, teu ser o que é,

te faz diferente, te faz sobressair.


te faz uma mulher dentro de outra mulher.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

somos todos desertos, e eu tenho sede.





tudo quanto penso,
tudo quanto sou
é um deserto imenso
onde nem eu estou.

extensão parada
sem nada a estar ali,
areia peneirada
vou dar-lhe a ferroada
da vida que vivi.

[...]

fernando pessoa, 18-3-1935







nós somos desertos, mas povoados de tribos, de faunas e floras. passamos nosso tempo a arrumar essas tribos, a dispô-las de outro modo, a eliminar algumas delas, a fazer prosperar outras. e todos estes povoados, todas essas multidões não impedem o deserto, que a nossa própria ascese; ao contrário, elas o habitam, passam por ele, sobre ele ( o deserto a experimentação sobre si mesmo é nossa única identidade, nossa única chance para todas as combinações que nos habitam (...) DELEUZE

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

conversas internas



eu andei perdida em movimentos aleatórios de felicidade. é simples qd não se é só. mas isso, para mim, dura pouco. acaba antes do fim das férias. e por + q eu me esforce, esvae-se, fumaça entre os dedos.
[o amor também será isso, então? uma despedida sempre pronta a cumprir-se? essa ameaça constante?]
o q, nesta vida, afinal nos une ao alheio do mundo e dos outros se não a nossa consciência de sozinhez e desepero? não é o sangue aqui nas veias. nem é a bondade, ou qqr outro valor. seria simplório d+. é o comodismo? a preguiça? acredito + nisso do q em qqr juízo moral.



mas isso é tão lá dentro q quase não ouço. não tenho do q reclamar. e não é crítica a ninguém. lá em casa, além das nossas caras quase idênticas, o cilma é de reciprocidade em atos de solidariedade pura e despretenciosa. riso e cor. uma felicidade q não tenho enquanto atravesso esse cotidiano na capitá do arraiá baianesco. lá em casa, tudo é tão engraçado e calmo...


[presentinho da amiga super-patie:]

/acadêmicos s.a by: patie braille/



depois que eu cheguei à caótica e destrambelhada capitá, quase não me vejo. acho q me esqueci em alguma gaveta velha, ou pote sem uso. quem sabe qd me reencontrarei?
era pra ser + forte e puro o meu senso de identidade e reconhecimento das minhas próprias querências. talvez eu tenha me tornado só isto. e sigo.

não vou negar: é bom. eu gosto. é ótimo! se tenho medo do porvir, é por causa do já ido. ninguém entende, pq é um daqueles tantos segredos q eu fiz questão de apagar até do caderno imaterial do vivido. aí deu nisso. insistência louca em capítulos repetidos de série tosca, sem qqr audiência. minha cabeça e seus dilemas: eu quero mesmo um de tamarindo, que parece de groselha e tem gosto de limão ou só uma água sem gás?

coragem, coragem...






a pálida luz da manhã de inverno,

o cais e a razão
não dão mais 'sperança,
nem menos 'sperança sequer,

no meu coração.
o que tem que ser

será, quer eu queira que seja ou que não.

no rumor do cais, no bulício do rio,

na rua a acordar
não há mais sossego,
nem menos sossego sequer,

para o meu 'sperar.

o que tem que não ser
algures será, se o pensei;
tudo mais é sonhar.


fernando pessoa
28.12.1928