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domingo, 6 de março de 2011

arlequim

é carnaval. mesmo no coração da folia, epicentro de trios, quartetos e bandos, luzes, máscaras, há quem se refugie. no meu caso, prefiro o esconderijo no castelo de metáforas e lamúrias, sombra passante por janelas entreabertas. ouço ao longe o ecoar dos tumultos: sheherazade enfrentando o sultão, ao vivo, em todas as telas. conflitos, dúvidas, calor, livros, poeira, louça suja, solidão, irmã e irmão chegando. do outro lado, a persistência de uma situação que adultera minha fé em mim, para dizer o mínimo. estudos. escritos. perspectivas. tudo misturado. re-luz. sonos, falas, acordes, escritas, distrações e tantas bobagens... nada, porém, consegue apagar um pensamento nascido por acaso, ontem:


quem faz aniversário em pleno carnaval só podia mesmo ter alma de arlequim.


eis o grande mistério latejante. era para lhe contar mentiras coloridas e risonhas. inventar histórias de felicidades, conquistas, milagres. era para ser bem flutuante, reconciliada, esquecida, até. era para ser qualquer outra que não esta, à sua espera.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010





me parece que em tardes chuvosas de primavera como esta, os Corvos saem ao acaso e gritam aos tristes: nunca mais.
me parece que em tardes chuvosas de primavera, não há torta holandesa, ouvidos amigos ou refúgio nos livros que nos sare.
em tardes chuvosas de primavera, todas as águas internas da oxum que há em mim se turvam, perco a cor.
em tardes chuvosas de primavera, tudo que eu não quero é rever seu rosto de sol, sorriso impessoal, sem culpa nem saudade.
tardes chuvosas me arrancam a primavera.
tarde de chuva por dentro.
é tarde.

domingo, 14 de junho de 2009