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domingo, 6 de março de 2011

arlequim

é carnaval. mesmo no coração da folia, epicentro de trios, quartetos e bandos, luzes, máscaras, há quem se refugie. no meu caso, prefiro o esconderijo no castelo de metáforas e lamúrias, sombra passante por janelas entreabertas. ouço ao longe o ecoar dos tumultos: sheherazade enfrentando o sultão, ao vivo, em todas as telas. conflitos, dúvidas, calor, livros, poeira, louça suja, solidão, irmã e irmão chegando. do outro lado, a persistência de uma situação que adultera minha fé em mim, para dizer o mínimo. estudos. escritos. perspectivas. tudo misturado. re-luz. sonos, falas, acordes, escritas, distrações e tantas bobagens... nada, porém, consegue apagar um pensamento nascido por acaso, ontem:


quem faz aniversário em pleno carnaval só podia mesmo ter alma de arlequim.


eis o grande mistério latejante. era para lhe contar mentiras coloridas e risonhas. inventar histórias de felicidades, conquistas, milagres. era para ser bem flutuante, reconciliada, esquecida, até. era para ser qualquer outra que não esta, à sua espera.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sol-azul: aniversário como tempo de desabafo e perdão.

outros títulos possíveis:

depois de 3 estações, um scrap.


ou:
pq isso aqui não deixará de ser um acúmulo de versos espalhados, em pedacinhos aleatórios...


ou:
de quando eu plantava girassóis.


ou:
tudo depende do humor do Sol².


ou:

7/10/2009 21:52:59


está perdoado. lhe entreguei uma misericórdia apressada, corrompida, como diria o n. rodrigues, seu companheiro de anunciação de afetos múltiplos, espalháveis. daí que a sua ofensa maior, o seu grande erro, esse de existir longe de mim, apesar da órbita e das rimas, sobrepõe-se aos momentos nuviosos, às bolas fora, e não permite que o esquecimento alce vôo. pesa. e este meu silêncio morno, que picharia a cidade inteira com recriminações a seus atos levianos, embora preferisse lhe dedicar as tais flores amarelas, se não entendesse a excepcionalidade conceitual do caso, se não acreditasse, à revelia da minha fé em escombros, que há a promessa, esta minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço. e no incomensurável dos desejos e sonhos, entre o aqui e o aí, no reino do sem nome onde nos encontramos, lhe perdôo. só não espere anistias, benevolências. que o que eu lhe dei foi amor, não salvação.

está perdoado. esta é a minha vingança.




as estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê - saint-exupéry






7/10/2009 21:52:59
está perdoado. esta é a minha vingança.

Que bom! Pensei ter morrido, pra ti...

por você, eu encherei a soterópolis inteira de girassóis, no verão.

Oh meu Deus...
Senhor, obrigado!

vc verá, nem q seja por fotos.

Antes, diga-me: como passou esse tempo todo de silêncio?

já disse: minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço.

Estou bem habituado a penalidades... o tempo todo sofro alguma delas!
mas eu queria saber se vc está bem...

estou.
e vc?


Bonzinho... aliás, nem tanto, pela tua mudez...
Mas agora estou melhor.

mudez q não deixou de ser carinhosa, pq te mandei versos azuis
só hoje vi q estão lá, no orkut
gostei.


Eu os li... fiquei com receio de responder, mas gostei muito...
Fiquei feliz.
Entrei bem aos 30.

agora vc é, irrevogavelmente, um adulto.

Tomara.

como é?

Alguns alunos perguntaram...
Pensei um pouco... e respondi que não é diferente de completar 15 anos.
Mas, desta vez, vc se sente mais encorpado, menos fútil e com cabelos brancos a mais.

eu pensava q só era significativo pras meninas os 15 anos
os 30 são anúncio da decreptude. ainda me restam uns 3 anos de suspiros, até lá

Alguns rapazes acham importante os 15 invernos. Porque é uma idade de cabeçadas e desejos sexuais irrealizáveis.

eu gosta da inversão da previsibilidade metafórica q vc faz. mas quem nasceu em julho, e é da noite, sou eu. vc, nascido na primavera, solar, comemorando invernos? boreal sou eu.
acho q os homens vivem eternamente Às cabeçadas. 15. 30, 40... ha diferença?

Sei que sou da estação das plantas... mas é que boa parte da minha vida foi um inverno...
Bem, aí já não posso confirmar. É raro eu dar tropeços, atualmente. Não sou perfeito, mas agora faço cautela.

... pareceu uma história q contava para os meus: uma estrelinha q tinha medo do escuro. medrosa, se escondia. até q descobriu q, brilhando, a escuridão apagava.
mas tudo bem... eu deixo! afinal, tb apreendi algumas de suas pretensões metafísicas, e as espalho por aí, como se minhas fossem


Acredite, eu queria te dar bem mais afeto que valesse... plantando um baita girassol na tua vida.

já floreceu

sábado, 18 de julho de 2009

27 inernos

[espaço para viver o dia, fotografá-lo, e reproduzi-lo sem versos ]


nunca vou me render




De: Adriany Thatcher
Enviada: sábado, 18 de julho de 2009 5:12:10
Para: poeta h

madrugada de um dia que se perdeu inteiro para minhas angustias terem insônia; acharem morada; brincarem de subverterem meu juízo ralo.
mesmo assim eu lembro de você, dos versos espalhados em outras manhãs mais chuvosas, da lira e do mistério.
faz falta.

a menina que fui e que brincava em jardins floridos e úmidos, sorriso fácil, sonhos puros, essa menina te dá as mãos agora, andemos juntos [assim sonho] e brindemos a nossa malfadada vida. contigo, os segredos fazem sentido: "o 18 de julho é quase um tudo na medição das independências interiores."

espero que faça sol de manhã. e por dentro também.

[...]

a você: toda a melodia do mundo.
parabéns.

muitos beijos.
_________*__________*___________*______________*___________

18 de julho

sim: 27 invernos.

não tenho lá festividades para contar. números ímpares refletem imperfeição. mas também não tenho o que reclamar: estou em paz, apesar do plim plim da varinha de condão faltante.

pensei e quis sol. mas fiquei em casa. ouvi recados on line. telefonemas? só um, vindo do outro lado do atlântico [esta constância sempre me surpreende e alegra].

sem choro ou saudade. até dormi. mas na preparação para a travessia, choveu. fiquei tão triste, me senti tão só... eu mal lembrava como era este clima do outro lado da cidade, no sentido da saída [que já representou a chegada, quando eu ria ao sol inebriada de amor e felicidade, mas naquela época era verão, e eu pensava, sonhando, que era amada], não queria ficar pensando nisso, foi a chuva que me trouxe essas lembranças...

em casa. espero equilibrar os ânimos, insistir no sonhos. voltar melhor. 27 anos, quem diria? e essa luta desregrada, esse desequilíbrio todo...

[eu tentei, mas não consegui evitar o pensamento preso nessas lembranças, foi a noite chuvosa, esses lados da cidade me obrigam a sentir isso.... casinhas iluminadas, feias, feias!]

em casa, depois de um mês de férias do comum: aceitei o bombom recheado que a vida me deu de presente – tão doce, tão suculento que comi rápido. uma tensão boa. constante. breve.

todos estes sentimentos misturados. esta espera por não sei o que, nem quem... tem sentido? há sentido? o que sou, nisto tudo? sou? aprendi com a dor. tive sonhos maiores do que eu. se me perdi, se não alcanço, a estrada é longa, e eu estou descalça...

nada vale o preço deste bem estar interno, apesar de tudo, este pacífico modo de sentir a vida.

sinceramente, não tenho nada a reclamar. agradeço.