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quinta-feira, 15 de julho de 2010

retratos





(...) ontem por incrível que pareça todos os lugares que pisei eu te procurei. teus rastros ficaram por lá. o balançar de teus cabelos e esse teu jeito meio atacado de ser. fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. é assim o nosso ciclo. eu te preciso. perto, longe, tanto faz. preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. é, eu gosto muito de ti.

caio fernando abreu

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sol-azul: aniversário como tempo de desabafo e perdão.

outros títulos possíveis:

depois de 3 estações, um scrap.


ou:
pq isso aqui não deixará de ser um acúmulo de versos espalhados, em pedacinhos aleatórios...


ou:
de quando eu plantava girassóis.


ou:
tudo depende do humor do Sol².


ou:

7/10/2009 21:52:59


está perdoado. lhe entreguei uma misericórdia apressada, corrompida, como diria o n. rodrigues, seu companheiro de anunciação de afetos múltiplos, espalháveis. daí que a sua ofensa maior, o seu grande erro, esse de existir longe de mim, apesar da órbita e das rimas, sobrepõe-se aos momentos nuviosos, às bolas fora, e não permite que o esquecimento alce vôo. pesa. e este meu silêncio morno, que picharia a cidade inteira com recriminações a seus atos levianos, embora preferisse lhe dedicar as tais flores amarelas, se não entendesse a excepcionalidade conceitual do caso, se não acreditasse, à revelia da minha fé em escombros, que há a promessa, esta minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço. e no incomensurável dos desejos e sonhos, entre o aqui e o aí, no reino do sem nome onde nos encontramos, lhe perdôo. só não espere anistias, benevolências. que o que eu lhe dei foi amor, não salvação.

está perdoado. esta é a minha vingança.




as estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê - saint-exupéry






7/10/2009 21:52:59
está perdoado. esta é a minha vingança.

Que bom! Pensei ter morrido, pra ti...

por você, eu encherei a soterópolis inteira de girassóis, no verão.

Oh meu Deus...
Senhor, obrigado!

vc verá, nem q seja por fotos.

Antes, diga-me: como passou esse tempo todo de silêncio?

já disse: minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço.

Estou bem habituado a penalidades... o tempo todo sofro alguma delas!
mas eu queria saber se vc está bem...

estou.
e vc?


Bonzinho... aliás, nem tanto, pela tua mudez...
Mas agora estou melhor.

mudez q não deixou de ser carinhosa, pq te mandei versos azuis
só hoje vi q estão lá, no orkut
gostei.


Eu os li... fiquei com receio de responder, mas gostei muito...
Fiquei feliz.
Entrei bem aos 30.

agora vc é, irrevogavelmente, um adulto.

Tomara.

como é?

Alguns alunos perguntaram...
Pensei um pouco... e respondi que não é diferente de completar 15 anos.
Mas, desta vez, vc se sente mais encorpado, menos fútil e com cabelos brancos a mais.

eu pensava q só era significativo pras meninas os 15 anos
os 30 são anúncio da decreptude. ainda me restam uns 3 anos de suspiros, até lá

Alguns rapazes acham importante os 15 invernos. Porque é uma idade de cabeçadas e desejos sexuais irrealizáveis.

eu gosta da inversão da previsibilidade metafórica q vc faz. mas quem nasceu em julho, e é da noite, sou eu. vc, nascido na primavera, solar, comemorando invernos? boreal sou eu.
acho q os homens vivem eternamente Às cabeçadas. 15. 30, 40... ha diferença?

Sei que sou da estação das plantas... mas é que boa parte da minha vida foi um inverno...
Bem, aí já não posso confirmar. É raro eu dar tropeços, atualmente. Não sou perfeito, mas agora faço cautela.

... pareceu uma história q contava para os meus: uma estrelinha q tinha medo do escuro. medrosa, se escondia. até q descobriu q, brilhando, a escuridão apagava.
mas tudo bem... eu deixo! afinal, tb apreendi algumas de suas pretensões metafísicas, e as espalho por aí, como se minhas fossem


Acredite, eu queria te dar bem mais afeto que valesse... plantando um baita girassol na tua vida.

já floreceu

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Fragmentos de um [des]amor



[ANTERIORIDADES]

Cerro um pouco os olhos onde subsiste
Um romântico apelo vago e mudo
_Um grande amor é sempre grave e triste.


Julho

sobre esta noite:


tanta angústia fresca guardada com acúmulos de esperanças, palavras mergulhadas em ressentimentos tardios e dores mudas. meus dias atravessados às cegas, barco perdido na tempestade inesperada que desafiou a noite de sonhos lindos, lindos. vento e água. desatino. tudo perdido. promessas e lágrimas vão perdendo suas cores. quanta dor consigo suportar em nome desse amor disforme? é amor ou teimosia? ao menos, quando a raiva toma o lugar da dor, alivia.


Sobre um fim de semana de ausências:

o meu corpo esteve nu e livre. andei-comi-vi-falei-ri-dei-pedi-ouvi-estudei-fiquei-doente e quis chorar. dias arrastando esse corpo em lugares em que eu mesma não estava. o meu desejo teima em fugir disto que tenho e perco tudo.

a maior aflição nem sei se é a impossibilidade de banhar-me novamente na calmaria do saber-se amada, enquanto se ama, incondicionalmente. solo arrasado. fontes secas. desolação. cal por sobre meus pés, e nos meus cabelos.

dói também a tortura dessa dúvida insistente: e se for a nossa última chance? [nossa?] e se o jogo mudar agora? ah... eu queria tudo como era antes... a velha e boa paz de esperar o possível...

será o meu pecado assim tão sujo? não merecerei a benevolente chance de ao menos um acerto? uma casinha amarela, jardim florido, um amor, uma criança rindo. to começando achar que a felicidade é demais para mim, e que me converti novamente.

sempre fui só. quis mudar isso tantas vezes. desta eu pensei ter conseguido, enfim. foi sonho e acordei para o pesadelo inconstante e solitário que são meus dias medíocres. nem filosofia nem esperanças. nada me fará rir como quando eu contava com o amor ingênuo... foram-se o verão e a minha paz. tudo está gelado e doentio. tenho febre, dores, espirros infinitos, catarro no coração.

[...]

a minha cabeça fútil se enredou em esperanças infantis. quis o retorno, o arrependimento, o perdão, o final feliz dos contos de fadas e das novelas de quinta. sou mesmo uma vergonhosa falcatrua, uma cópia, um simulacro, tão sensata e pura eu me apresento, mentira! sou doida e fraca. quero o simples. mas aceito qualquer arremedo de felicidade que me derem. sou fácil e tola. mas acho que sou especial e firme, por isso falo tantas bobagens vãs. tremo de esperanças apenas qo toque tardio de palavras que sei não passarem de fumaça de candeeiro: de manhã não resta nem a lembrança do cheiro dela. tudo podia ser diferente. eu queria tanto, com amor e sinceridade puras. ilusão de criança.

cansei de ser essa que chora e espera. para que tanto amor e respeito se sou esquecida, despresada?

[...]
perdas e dores e medos cada vez maiores...

joguei fora meu tempo e minha energia fantasiando uma vida comum e doce. tinha sol claro no meu caminho inventado. era dia mesmo nas noites: a lua alta no céu, sob a água eu ria, em meio às gentes dançava, em casa suspirava, amava entre arrepios. tudo perdido. deixado. peças vencidas no jogo em que não percebi estar como coadjuvante.

agora? resignação. um pouco de mágoa também. no labirinto de sonhos que ergui eu mesma fiquei presa. amarrada pelas expectativas da minha mente. devaneios de criança: as borboletas no quintal me fascinavam. quis ter um casulo só meu, dormir de gorda, sonhar tudo lindo, ser esperada pelo mundo inteiro, acordar viva, abrir meus próprios rumos coloridos, erguer as asas encarnadas, beijar o doce das flores, todos os jardins se ofereceriam apaixonados por mim, acompanhar todos os ventos do mundo, experimentar tudo, me lambuzar de sol, alcançar os astros!

mas sou apenas uma lagarta monótona e resmungona pastando o amargo dos dias de uma vida rasteira e monocromática.

[...]

uma caneca de chá morno sobre a cama. palavras sem sentido que não tenho coragem de pensar mas que me atormentam mesmo assim. Uma madrugada que se anuncia longa e solitária. Gripe forte. Sms doentios, saudades de casa, de mim quando criança, de meus sonhos puros, de ter crença que eu mesma podia mudar tudo, quando quisesse...

não entendo o enredo da minha vida. quero outro. só que não sei qual.






tudo depende do humor do Sol.

eu só queria que cessasse esse mal invisível

que me condena a ser só

estou cansada deste marasmo de lamentações inoportunas

e também dos falsos arrependimentos tardios

tenho sono profundo:
a eternidade distraindo-me em sonhos

o que mais eu poderia querer?

não há aqui qualquer chance melhor de redenção.

o descanso eterno, eis o único futuro que me aguarda

bela tem razão

só a morte pode esculpir este palácio

de glórias, de amor, de quimeras

em que eu tenho desejado viver

sono profundo, desistência infinita, cansaço máximo

no fim, o vento leva as palavras boas e más

depois leva também a lembrança apagada delas

a mesma brisa que refresca,

pode igualmente ferir o rosto


tudo depende do humor do sol.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

quarta feira de cinzas




2009

A POSTERIDADE NOS JULGARÁ

Quando for descoberto o remédio preventivo contra a gripe, as gerações futuras nunca mais poderão nos entender. Gripe é uma das tristezas orgânicas mais irrecuperáveis, enquanto dura. Ter gripe é ficar sabendo de muitas coisas que, se não fossem sabidas, nunca precisariam ter sido sabidas. É a experiência da catástrofe inútil, de uma catástrofe sem tragédia. É um lamento covarde que só o outro gripado compreende. Como poderão os futuros homens entender que ter gripe era uma condição humana? Somos seres gripados, futuramente sujeitos a um julgamento severo ou irônico.

Clarice Lispector - Aprendendo a viver.



[ANTERIORIDADES]



O mar, o vasto mar nos consola os labores!
Que demônio dotou o mar, roufenho canto
Perene a acompanhar os ventos rugidores,
Da sublime função de sublime acalanto?
O mar, o vasto mar nos consola os labores!

Baudelaire





arrebentam-se nas pedras negras da minha dor os desejos contraditórios de que me alimentei enquanto dormia. ações aleatórias e irrefletidas, como a da criança despreocupada que vê a maré levando suas sandálias e não reage, sabendo-se incapaz de enfrentar a traquinagem astuta do mar. vi, mas fiquei imóvel, esperando um não-sei-quê me socorrer. a ajuda não veio, obviamente.

ao menos aprendi algumas coisas incomunicáveis, relacionadas às vontades, intuições, sentimentos invisíveis e verdades indigestas. por um lado, há que se ter coragem de se assumir o que se sente. e mais ainda de renunciar a uma possibilidade de alegria [regada com todo o carinho poético a que sempre me declarei destinada] ainda púbere embora prometessem viger no tempo do sempre. por outro lado, a vida real que bate à porta, repleta de bagagens aos pés, me solicita uma decisão: coragem de ser já agora o que, mesmo inconfessadamente, temi, o reconhecer-se concreta, ativa, pensante, construtora, adulta.

é uma decisão difícil: a poesia trasvestiu-se de cotidiano fenomenal, com ela ganho sabores e risos, mas perco as cores do amor; a realidade enfeitou-se com um fascínio irracional e delicioso do amor, mas perco a leveza da sincronicidade, a doçura lírica do cuidar fraternal.

meus passos são tentativas ocas de reajeitar as coisas. a dor, porém, é inevitável.