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sábado, 20 de fevereiro de 2010

sol-azul: aniversário como tempo de desabafo e perdão.

outros títulos possíveis:

depois de 3 estações, um scrap.


ou:
pq isso aqui não deixará de ser um acúmulo de versos espalhados, em pedacinhos aleatórios...


ou:
de quando eu plantava girassóis.


ou:
tudo depende do humor do Sol².


ou:

7/10/2009 21:52:59


está perdoado. lhe entreguei uma misericórdia apressada, corrompida, como diria o n. rodrigues, seu companheiro de anunciação de afetos múltiplos, espalháveis. daí que a sua ofensa maior, o seu grande erro, esse de existir longe de mim, apesar da órbita e das rimas, sobrepõe-se aos momentos nuviosos, às bolas fora, e não permite que o esquecimento alce vôo. pesa. e este meu silêncio morno, que picharia a cidade inteira com recriminações a seus atos levianos, embora preferisse lhe dedicar as tais flores amarelas, se não entendesse a excepcionalidade conceitual do caso, se não acreditasse, à revelia da minha fé em escombros, que há a promessa, esta minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço. e no incomensurável dos desejos e sonhos, entre o aqui e o aí, no reino do sem nome onde nos encontramos, lhe perdôo. só não espere anistias, benevolências. que o que eu lhe dei foi amor, não salvação.

está perdoado. esta é a minha vingança.




as estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê - saint-exupéry






7/10/2009 21:52:59
está perdoado. esta é a minha vingança.

Que bom! Pensei ter morrido, pra ti...

por você, eu encherei a soterópolis inteira de girassóis, no verão.

Oh meu Deus...
Senhor, obrigado!

vc verá, nem q seja por fotos.

Antes, diga-me: como passou esse tempo todo de silêncio?

já disse: minha mudez revoltada é só para que se lembre da inexistência de penalidades suficientes. não esqueço.

Estou bem habituado a penalidades... o tempo todo sofro alguma delas!
mas eu queria saber se vc está bem...

estou.
e vc?


Bonzinho... aliás, nem tanto, pela tua mudez...
Mas agora estou melhor.

mudez q não deixou de ser carinhosa, pq te mandei versos azuis
só hoje vi q estão lá, no orkut
gostei.


Eu os li... fiquei com receio de responder, mas gostei muito...
Fiquei feliz.
Entrei bem aos 30.

agora vc é, irrevogavelmente, um adulto.

Tomara.

como é?

Alguns alunos perguntaram...
Pensei um pouco... e respondi que não é diferente de completar 15 anos.
Mas, desta vez, vc se sente mais encorpado, menos fútil e com cabelos brancos a mais.

eu pensava q só era significativo pras meninas os 15 anos
os 30 são anúncio da decreptude. ainda me restam uns 3 anos de suspiros, até lá

Alguns rapazes acham importante os 15 invernos. Porque é uma idade de cabeçadas e desejos sexuais irrealizáveis.

eu gosta da inversão da previsibilidade metafórica q vc faz. mas quem nasceu em julho, e é da noite, sou eu. vc, nascido na primavera, solar, comemorando invernos? boreal sou eu.
acho q os homens vivem eternamente Às cabeçadas. 15. 30, 40... ha diferença?

Sei que sou da estação das plantas... mas é que boa parte da minha vida foi um inverno...
Bem, aí já não posso confirmar. É raro eu dar tropeços, atualmente. Não sou perfeito, mas agora faço cautela.

... pareceu uma história q contava para os meus: uma estrelinha q tinha medo do escuro. medrosa, se escondia. até q descobriu q, brilhando, a escuridão apagava.
mas tudo bem... eu deixo! afinal, tb apreendi algumas de suas pretensões metafísicas, e as espalho por aí, como se minhas fossem


Acredite, eu queria te dar bem mais afeto que valesse... plantando um baita girassol na tua vida.

já floreceu

quarta-feira, 8 de julho de 2009

[parêntese explicativo]

[choveu mais cedo. eu nem tinha percebido, mas bastou colocar a cara na rua para sentir a baforada fria da saudade de um nós dois já tão antigo que até eu quase não lembrava.
só entende quem já encontou alguém com quem se quisesse, eternamente, dormir com as mãos enlaçadas.
é por isso que não há nada a ser dito ou feito capaz esconder este deserto úmido e invisível que permanece no meu coração. invisível para os outros. ninguém consegue me fazer esquercer de vê-lo luminoso e frio.
chovia na manhã em que eu me escondia entre livros, telas, ingredientes de outras lembranças. atrasos e queixas desse ritmo tordo da minha vida morna. uma ata. tudo igualmente embolado e sem ritmo. se eu pudesse, permaneceria cá dentro, escondida, sem voz, sem motivos para experimentar o vento do lá fora. isso a que chamam mundo civilizado tem graça? nem.
destranquei cadeados e portões. embora fosse a brisa a grande semeadora de discóridas e lutos, essas andanças teimosas que empreendo por vias cada vez mais tomadas de gente na contra mão de mim, guarda-chuvas e carros irritando-me os passos mais simples, eu ainda somei duas ou três lembranças tardias de uma decepção já morta. mesmo daqui quinze anos elas ainda me acompanharão. sou tão previsível e tola.

ruas sujas. gentes. gentes. mais gentes. barulhos. água. eu seguindo, sempre atrasada, sempre perdida. quem nota a tristeza profunda nos meus olhos? quem conhece essas narrativas sem nexo que me atormentam o sono mesmo após tantos meses de ausência física e de anulação dos votos eternos de amor? [sim, hoje eu sonhei com o sorriso e o abraço branco de um amor que nunca tive, mas que me mentiu muitíssimo bem]. nem eu lembrava. por alguns poucos instantes, destes segundos que a gente para de respirar por qualquer bobagem, eu esqueci o meu deserto. instantes raros. distração. o deserto continuava lá. ele é forte. e muito árido.]